2003

Por se tratar de um avião feito de madeira, que deveria carregar um peso extra, ou seja, a carga útil, acreditávamos que a estrutura do avião deveria ser reforçada para suportar os carregamentos envolvidos. Estes carregamentos foram calculados assumindo-se que as cargas eram todas estáticas, em virtude do baixo grau de conhecimento acerca do assunto por parte dos alunos envolvidos. Os impactos foram ignorados e os fatores de segurança superestimados. Dessa forma, a estrutura da fuselagem do avião se tornou uma caixa treliçada de madeira. As características estruturais (rigidez, elasticidade, etc.) do material utilizado foram pesquisadas em livros, que apresentavam valores medianos, sem levar em consideração o tipo de madeira. Para manter a segurança, empregou-se colas indicadas por aeromodelistas na união das partes de madeira que compunham a estrutura, mas a quantidade utilizada foi maior do que a necessária. Na época, não sabíamos como dimensionar a quantidade de cola. Assim sendo, a estrutura apresentava um peso desnecessário (!).

A parte frontal do avião onde se localizava o motor também foi superdimensionada, e a parede de fogo, item obrigatório por motivos de segurança, tinha cerca de meia polegada de espessura, fato que hoje sabemos, por experiência, se tratar de um exagero (!!).

A cauda do avião era composta por três tubos de alumínio, dispostos em forma de pirâmide. Esses tubos tinham cerca de 90 cm de comprimento, 1,5 cm de diâmetro e 1 mm de espessura. O trem de pouso, feito de alumínio e projetado para suportar cerca de 90% do peso do avião, foi subdimensionado. O fato de não termos levado em conta o impacto contra o solo no momento de um pouso mais abrupto, como o que ocorreu na competição, fez com que o trem de pouso entrasse em colapso. A asa foi feita de isopor de alta densidade para que não houvesse necessidade de estruturas internas para manter a rigidez da mesma. Isso fez com que a asa ficasse muito pesada, ou seja, havia mais um item superdimensionado no avião. Dessa maneira, o avião construído apresentou uma massa final muito elevada, se comparada às de aviões construídos atualmente pela Keep Flying.

A partir dessa experiência, ficou evidente a necessidade de cálculos mais refinados no projeto estrutural do avião, o que acarretava em cálculos ainda mais refinados no tocante à controlabilidade. Percebemos a importância de pesquisas que levem em consideração os aspectos estruturais, aerodinâmicos, construtivos e de controlabilidade do avião e, mais importante ainda, percebemos a necessidade de mantermos um histórico de experiências da equipe, i.e., informações que são passadas aos novos integrantes, para que não se perca tempo fazendo testes ou tentativas que já se mostraram inadequadas para o Aerodesign.

As pesquisas nos levaram a utilizar novos materiais como fibra de vidro, depois substituídas por fibras de carbono e aramida. O uso desses materiais era feito de maneira empírica, com algumas informações adquiridas com pessoas que usavam esses materiais para outras finalidades que não a fabricação de aeromodelos, ou vendedores desses materiais. A utilização de tais materiais obrigou a Keep Flying a procurar patrocinadores fora da universidade, pois esses materiais são caros, por apresentarem alta tecnologia quando comparados à madeira utilizada em aeromodelismo.

Os primeiros passos são realmente os mais difíceis, mas uma vez que aprendemos a andar conseguimos nos levantar após uma queda e até mesmo correr. No nosso caso, voamos.